domingo, 7 de agosto de 2011

QUESTÃO DE LÍNGUA*: OF ou OFF?

Geraldo SearaMAKING OF OU MAKING OFF

Geraldo Seara

Engana-se quem pensa que as gramáticas podem deter a evolução natural das línguas. As normas que as regulam podem e devem retardar as alterações por um longo tempo, mas chegará o dia em que o uso livre, fluido e natural dos falantes baterá o martelo. Não sou contra as normas, pois sei que se elas não existissem, viveríamos perdidos, isolados pela provável falta de comunicação eficiente. Aliás, sobre isso, os meios de comunicação corroboram a manutenção da unidade linguística das nações, ainda que diversos sejam os falares numa mesma área geográfica. Assim, os jornais e novelas, televisados, radiofônicos ou impressos se espalham do Oiapoque ao Chuí, no nosso caso, garantindo a unidade e, por vezes, a diversidade, quando leva o “tu vai” pra quem diz “tu vais” e vice-versa. E seguimos na comunicação.

Quanto aos estrangeirismos, tupy or not tupy! (peço licença): os termos de fora vão virando futebol (in. football), encrenca (al. ein krank), detalhe (fr. détail), deletar (in. delete) e por aí vai. Afinal, ninguém tem a obrigação de dizer o que não se acomoda na articulação, nem de conhecer sobre tudo que venha de fora. Desse modo, alguns termos ainda não aportuguesados − ou preferíveis aos equivalentes na nossa língua − vão causando alguns transtornos. Por exemplo, o “ROM” de CD-ROM, que chegou com o informatiquês, se mistura com o “room” de “show room”, há mais tempo entre nós. Lembro-me de já ter sido corrigido, quando pronunciei corretamente [si.di.rom], como se eu tivesse cometido um crime. Cansado de lutar, cedi à pronúncia [se.de.rrum] da maioria, pra não parecer um ET, isso no finalzinho do século XX. Entre os falantes nativos de inglês, a diferença entre ROM (Read Only Memory) e room (sala, aposento) permanece. Por aqui, entre muitos, tanto faz.

E o making of?

De modo análogo ao descrito para CD-ROM, já estamos acostumados a ver o termo off, tanto no liga-desliga dos aparelhos (on-off) quanto − e principalmente − nas liquidações dos shopping centers e nas propagandas impressas. Quem é que resiste a 70, 90% OFF?! Aí, na hora de grafar making of, pimba! Surge mais um “f”. Tá errado? Bem, os falantes da língua inglesa (nativos ou não), certamente, estranharão. Mas entre outros, está tudo bem. Com “f” ou “ff”, todo mundo sabe do que se trata. Outra possível explicação para o uso de off pode advir do sentido da partícula, que indica “separação”, “fora”. Assim, para alguns, se o making of serve para exibir o que ficou de “fora” do filme, então nada melhor do que a partícula off. Só que esse gênero pode também contemplar o que foi descartado, mas destina-se, principalmente, para os bastidores das filmagens, ou seja, o modo como tudo aconteceu, ou a “feitura de”, na tradução aproximada de making of.

Para quem quiser se certificar do que é correto para os falantes do inglês, veja como o termo aparece nos links para os vários making of dos próprios estúdios americanos e ingleses. Verão que os “ff” vêm de produções brasileiras e que os anglofônicos grafam com um "f" só, já que com dois não faz sentido pra eles, quando aplicado aos "bastidores das filmagens". Ademais, em inglês, existe a expressão make off que tem o sentido de "sair apressadamente" e que com a preposição with passa a ter o sentido de "furtar", de acordo com o dicionário online Marriam-Webster (o link vai direto para o verbete).

Por fim, eis um trecho do que está posto no site da Veja, na coluna "Sobre Palavra" de Sérgio Rodrigues:

[...] Os dois lados têm sua dose de razão. Seja como for, uma coisa é indiscutível: a degeneração ortográfica making off, que parece ser de uso ainda mais frequente do que a forma correta em nossa imprensa cultural, revela, esta sim, um traço constrangedor da macaqueação linguística – a ignorância alvar, a falta de juízo crítico. Se vamos ser anglófilos, que tal aprender um pouco de inglês, em vez de achar que dobrar consoantes é sempre mais chique? Processo de produção (making) de (of) um objeto cultural, é só disso que se trata. Making off – substantivação de to make off, “fugir, dar no pé” – seria no máximo algo como fuga. Fuja dele.

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(*)QUESTÃO DE LÍNGUA é um dos interprogramas da TV Anísio Teixeira.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

VIDEO ESCOLA 1997 / FECON 1998

Que tal matar a saudade? Consegui encontrar no acervo do IAT esses episódios do VIVER A ESCOLA, uma série produzida pela Secretaria de Educação da Bahia / Instituto Anísio Teixeira, em parceria com a TVE, que tinha como objetivo apresentar as experiências das escolas públicas espalhadas pelo estado.

No episódio sobre o VIDEOESCOLA, a experiência do uso pedagógico da TV e do vídeo em sala de aula, no Colégio Estadual Governador Roberto Santos - CEGRS, gravado em 1997 (é preciso dar os devidos descontos):

CEGRS Videoescola 1997 from Geraldo Seara on Vimeo.


Neste outro episódio, no mesmo colégio, em 1998, foi gravada a Feira do Conhecimmento:

CEGRS Feira do Conhecimento 1998 from Geraldo Seara on Vimeo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CAMPANHA DA TV ANÍSIO TEIXEIRA


O que você quer ver na TV Anísio Teixeira? (Peça Nº10)
Se a imagem não for exibida, dê F5.































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terça-feira, 9 de março de 2010

OFICINA DE APRESENTAÇÃO PARA TV

Continuando a formação dos educadores da TV Anísio Teixeira, participamos do Curso Intensivo de Apresentação para Televisão, ministrado por Meire Moreno. Confira o vídeo abaixo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

VÍDEO: PRIMEIROS PASSOS


Desde lá de São João do Panelinha, do tempo em que eu ouvia dizer que na cidade grande tinha um rádio que dava pra ver as pessoas dentro, que eu alimentava o desejo de mexer nessas geringonças que armazenam sons e imagens. Além do rádio, tinha o retratista, que de muito ilustre e requisitado, fazia crescer o mistério e o fascínio por trás daqueles mundos - o dos artistas e o dos bastidores. O custo daquelas geringonças, embora estratosférico, não desanimava! E ainda se tinha que ir pra Bahia ou pro Sul pra fazer curso e coisa e tal. Então já eram muitos os motivos pra deixar Panelinha, pra ver o mundo, pra estudar, pra trabalhar e juntar...

Demorou um tempão até ver o tal rádio com gente dentro, e outro tanto até conseguir botar a mão numa primeira Kodak Tira-teima cujo filme demoraaaaava pra revelar! Foi massa ver a foto tirada pelo turista, lá no Lacerda, com resultado na hora! Aí, o tempo entre os saltos tecnológicos começava a diminuir: o K-7 já acompanhava o lançamento dos Long Plays e o toca-fitas também já podia gravar. Gravava de tudo: do rádio, da TV, todo tipo de ruído - de trem, de ônibus, de chuva, de passos, trilhas para um futuro...

Um dia, o videocassete ficou acessível, em 24 vezes! Mais tarde, a possibilidade de juntar dois, pra copiar e colar - antecedentes do ctrl+c, ctrl+v! Enquanto não chegava a filmadora, esperava pacientemente, gravando, cortando e colando com um único cabo coaxial, sem nem saber que aquilo era edição.

Criei um monte de Frankensteins, misturando canais e programas, numa salada medonha! Ninguém gostava do produto final. Eu sim!
Finalmente, já na Academia, a câmera! E junto com ela o Adobe! Boom! O primeiro vídeo! E sendo o primeiro, há que se saber que era tudo novo, noutra lógica, em equipe, com prazo curto e tra/va/men/to do sistema que o Biu Gueites inventou... Mas ficou pronto. É um marco: Boa "Leitura" pra você.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

DA GRAVAÇÃO DE "ANÔNIMOS"

O SORRISO DE "SEU" ANTÔNIO

No dia da gravação (05/12/08), "Seu" Antônio apareceu impecável! Acordou (nem dormiu!) às 5 e comeu muito feijão com arroz pra começar bem o dia e durar até onde desse. Ele sabia que o dia ia ser intenso, mas não tinha idéia do quanto.

A gravação começou pela Sorveteria, às 8h da manhã, só pra registrar a chegada dele e a coleta dos picolés. Mas, só ali, foram muuuuuuitos takes, com muitos transeuntes, muitas buzinas, música diegética demais da conta, muitos kill, e faz assim, e faz de novo... Em meio a tanto furdunço, a orquestra seguia afinada sob a firme e leve batuta de Luciana, que ainda teve tempo pra ensinar, explicando a razão dos tantos takes e planos, já pensando na edição. Foram duas câmeras, gravando simultaneamente, com Militão e Amina, mais a câmera de Daniela, registrando meio que making of. Aprender fazendo é tudo! Inda mais quando se vê, também, na prática, o tanto que já se aprendeu.

Mais takes e, depois, picolé pra todo mundo, de todos os sabores, servidos por "Seu" Arnaldo, o dono da sorveteria, e sua filha, Laís, felizes com a movie-mentação.
Do Bonocô ao Doron fomos em comboio: o carro da equipe, o de Pinduca, lindão! - o carro! - e mais um tomado emprestado, só por causa do ar-condicionado, pra levar o nosso Antônio que não parou de falar um segundo sequer, mas sem suar tanto, pelo menos.

Chegando ao Doron, o tempo mudou! (Bem que Mariana falou!) Mas, graças a Deus, logo mudou de novo e aí, sob a batuta, ônibus, ladeiras, subidas, descidas, boom, lapela, tudo fluiu. Tinha hora que a equipe parecia corda de caranguejo, mas como num balé, ora andando de costa, ora de lado, ora de frente, pra garantir o melhor. "Seu" Antônio sorria, mesmo cansado, repetia, subia e descia outra vez. E foi assim, com pausas pra picolés, pois, sensíveis à questão, colaboramos com a vendagem do dia.

E veio o meio-dia! e o cheiro que saía das janelas nos fazia delirar. Não fossem os picolés, teríamos invadido alguma cozinha... O que quer dizer mesmo catering by nos créditos hollywoodianos? Well, deixa pra lá. O importante é que "Seu" Antônio falou, contou suas histórias e até sambou. A equipe, que ficou gratuitamente bronzeada, está de parabéns!!!

14 horas: ainda havia takes pra fazer. Nosso semblante já não era o mesmo, de cansaço e de rango. Mas o sorriso de Seu Antônio...

Abraços a todos e a todas,

Geraldo Seara


DA GRAVAÇÃO DO "BAHIA ASSIM"

Geraldo Seara.O SUBÚRBIO DO "BAHIA ASSIM"

O que foi felicidade
Me mata agora de saudade
Velhos tempos...
Belos dias!
(Roberto e Erasmo)

Eu me lembro com saudade...

Um dos meus sonhos era andar de trem. Costumava vê-los na televisão Telefunken, quando eu era televizinho de alguém, e era inevitável inserir, na trilha do meu pensamento, o som do trem-de-ferro, quando este ia pra Pernambuco, fazendo vuco-vuco, até chegar no Ceará. E alimentava o sonho de andar num, qualquer dia... Nem sabia que o "progresso" tinha planos de arquivar locomotivas e estradas de ferro, ante a chegada das rodas de borracha.

Lá onde eu nasci - dizem! - tem gente fugida até hoje, desde o dia em que, num início de noite, luzes foram avistadas na estrada de terra batida, se aproximando do arraial. Foi gente pra tudo quanto é lado! Os corajosos que sobraram - dos quais devo ser um descendente - elucidaram o mistério: era um Ford bigode anunciando que o progresso estava chegando e, com ele, os inserts no meu sonho: consegui andar de marinete, de jeep e de rural. Trem mesmo, só o das 11, no alto-falante da praça.

Um dia, já na Bahia - era assim que chamávamos a capital - num dia de feira, um furdunço só: feirantes correndo pra retirar, apressadamente, os tabuleiros da rua, ao som de uma buzina grave, forte e bem alta. Tabuleiros já de um lado e de outro e ali, bem no meio, surgiu majestoso, e passando, um trem! Uau! Um trem!!! Parecia vindo do além, pois do nada surgiu. De onde veio mesmo? Pra onde ia? - Do subúrbio pro porto, via Feira de São Joaquim!

No dia seguinte, da Calçada ao último destino lá fui eu, feliz da vida! Igual a como passando num subúrbio, eu muito bem, vindo de trem de algum lugar... Viva o Chico! As casas simples com cadeiras na calçada... Tudo, tudo ali. Meu sonho se concretizou. Não perdi aquele trem!

Viajei outras vezes pra ver mais, além das paisagens. Chamou-me a atenção os escritos nas paredes dos vagões. Nomes e datas descortinavam a vida daquela gente.

Pra minha surpresa, muito tempo depois, já como professor, conheci a dona de um dos escritos. Alguém que, entre outras coisas (lícitas!), também comemorava os aniversários no trem. Estou falando de uma professora chamada Dayse, do Colégio 7 de Setembro, no subúrbio. (Cris a conhece). Quanta história de trem essa moça tem pra contar!...

Cris e Claudia, muuuuuuuito obrigado. Vocês me levaram de volta pra lá!

Abração,